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segunda-feira, 19 de abril de 2021

365 dias



Faz um ano. Um ano em pausa, é assim que o sinto. Um ano que não se passou muito, mas um ano em que tudo foi diferente.

Um ano de Covid, de não poder sair de casa, de aprender a viver com o que temos, sem sonhar, sem esperar mais, um ano sem ti.

Um ano em que refleti muito, sobre ti, sobre a minha infância, sobre as minhas recordações e principalmente onde sarei muitas feridas e te compreendi mais do que já tinha chegado a compreender.

Durmo de consciência tranquila, que fiz e dei tudo e que aproveitei tudo o que podia aproveitar, eu e os meus. Aprendi a dificuldade entre fazer crescer e a nossa liberdade de ser. De amar e de ser amada. Sarei essas feridas, compreendi que o amor chega a todos de maneiras diferentes, mas que é o mesmo, e é esse que me deixa saudade.

Tenho saudades de te ter sempre do meu lado, venha quem vier, saber sempre que me protegias. 

Tenho saudades das nossas conversas parvas e até das nossas discussões. 


Mas não há muito que possa fazer, senão seguir em frente, neste caminho estranho e diferente.

1 ano.

365 dias.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

A nova realidade, as expectativas e a culpa


Desta vez não descansei, não contemplei. Desta vez não soube ao que costuma saber. Pensando bem acho que tem so a haver comigo, era eu que estava deslocada. Não estava bem ali, estava num limbo de culpa e expectativa que não me parece que ainda tenha saído dele.

Culpa por querer descansar, por querer fechar os olhos e estar quieta. Expectativa daquilo que não poderia haver, o normal. Já nada é normal.é tudo diferente, ligeiramente, mas diferente. O que pressupõe toda huma nova aprendizagem e eu por norma não adoro mudanças. Tudo é novo, tudo é difícil, tudo tem de ser vivido e revivido novamente numa nova constância, diferente.


Erro onde não costumo errar, deixo o que não costumo deixar e acima de tudo não faço o que costumo fazer.


Faltaram me os beijos, o carinho e o amor. Porque não realidade eu só queria fechar os olhos e desaparecer por um segundo. Ser só eu, pequena a ter atenção, ser só eu a ser tratada e mimada.


Desculpem, errei convosco, mas admiti o erro, agora é tempo de aprender e melhorar.


Não foi tudo difícil, houve conquistas grandes, houve liberdades conquistadas para todos. Houve uma ligação à terra mesmo no final que tinha faltado e que me serenou o espirito. Ainda assim doi me retornar, tudo é diferente e ainda n encontrei o caminho.

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Cozinhar sem ti..

Hokusai, o velho criador da onda mais icónica do mundo


Tenho saudades tuas.
Nunca pensei que me fizesses tanta falta.

Nunca pensei que o acto de cozinhar e sentar à mesa fosse daquelas acções que mais me custa.

A dor às vezes aparece com um tsunami que me inunda de tristeza. Outras, aprece gentilmente como uma sombra que me escurece. Ainda assim doi-me de qualquer maneira.

Choro quando corto cebola, e muitas vezes as cebolas são doces e novas, não fazem chorar. A polpa de tomate para o refogado também me lembra das nossas conversas ao lume.
Ao fim ao cabo, ensinaste-me tudo o que sei sobre cozinhar.

Lembro me bem de te pedir para ajudar...descascar alhos era a minha tarefa, ao contrário de mim, não gostavas de ter as mãos a cheirar a alho.

Foi demasiado rápido entre o ir e não ir. Demasiado para perceber rapidamente o que se passou, e só agora, percebo o vazio, esse que por vezes deixa-me totalmente desamparada, com raiva e numa tristeza que muitas vezes não tenho palavras.

Tão depressa como um tsunami entra também foge, e vai, só para aparecer numa outra altura sem se fazer esperar.

Acho que serve para devagarinho criar resistência, criar defesas...

Ainda assim...continuo turbulenta como uma tempestade.